A arte de degustar

Entre uma taça e outra podemos mergulhar numa eterna viagem dos sentidos

Por Michele Montanha

A arte de comer e beber remonta séculos, mas é curioso como ainda sabemos pouco sobre o assunto.  Na realidade o que a gente sabe é que se degustarmos algo mais devagar, seja o alimento ou a bebida, vamos ter uma sensação mais prazerosa. Aliás, falamos muito sobre isso nas degustações de vinhos, quando propomos aquele “bochecho insípido”, como descreve a crítica britânica de vinhos Jancis Robinson, em seu livro “Como degustar vinhos”. Mas o ato na verdade não é insípido, porém, fundamental para notarmos as diferenças e sentirmos com mais atenção o que o alimento líquido ou sólido nos diz.

A regra serve também para o ato de cheirar e até mesmo a visualização da cor, outra fonte de prazer incrível aos olhos.  Com isso, o casamento entre o exame visual, olfato e paladar são de extrema importância, para brindarmos o conjunto perfeito das sensações no final de todo o processo.

A cor

As cores dos vinhos sejam eles tintos ou brancos, podem se apresentar em diversas tonalidades. O vinho, por exemplo, quanto mais envelhecido, mais sua cor transmutará para um vermelho puxado ao laranja, por outro lado, um vinho mais jovem conta com cores ricas, como rubi e violeta.

Já nos brancos um amarelo mais brilhante com tonalidades esverdeadas, pode ser notado em vinhos novos e prontos para beber. Os vinhos envelhecidos costumam apresentar um amarelo mais desbotado a castanho, mas as variações não param por aí, as diferentes tonalidades dizem e muito sobre o vinho. As uvas também entregam muito sobre as cores, cada uva empresta uma tonalidade distinta. O ideal é fazer as avaliações sempre com um papel branco ao fundo e boa luz, para não perdemos a verdadeira dança das cores no balanço das taças.

Olfato

O aroma é parte importante e encantadora de uma degustação. O ato de “cheirar” pode nos remeter às lembranças do nosso passado, como também falar sobre o nosso presente. As sensações podem ser diversas e o prazer pode ser dobrado, nos levando inclusive a ansiedade para descobrir o próximo passo: o paladar. Mas antes de chegarmos lá, vamos falar um pouquinho sobre o prazer dos aromas. Muito se ouve sobre os aromas dos vinhos, como: frutas negras e vermelhas, tabaco, entre outros. Na realidade, nos aromas, assim como na visualização das cores, a idade do vinho e as uvas, têm também um papel importante. E, para facilitar a vida do degustador, temos 03 categorias distintas para identificar os aromas: primários, secundários e terciários. Os primários são os primeiros aromas de cada variedade de uva e do suco que ela produz. Os secundários são oriundos do processo de fermentação e os terciários são os aromas dos vinhos que já estão passando pelo processo de maturação e envelhecimento. Nesta classificação conseguimos identificar o estágio em que o vinho se encontra e, até fazer uma aposta da uva e da região. Por exemplo, a uva Sauvignon Blanc, é uma casta que costuma produzir vinhos exuberantes e bastante aromáticos na Nova Zelândia, lembrando muito maça verde pela influência oceânica. As descobertas podem ser longas e infinitas, vale sempre apostar.

O paladar

O paladar pode ser a sensação mais esperada no processo de degustação e para aproveitar esse momento é preciso atenção e relax. O ideal é sentir primeiro a temperatura e quando aprovada, começar a viagem dos sentidos. Vale passear com o líquido em toda a superfície da língua, gengivas e bochechas, a ponta da língua, por exemplo, é canal certo para sentir a doçura e a falta dela no vinho; as laterais nos deixam perceber a acidez e a parte posterior nos dá a avaliação dos álcoois e taninos, que também podem ser notados nas gengivas e bochechas. O resultado final é saber se existe harmonia após essa viagem e, se sim, é provável termos um vinho “equilibrado”. E, na falta ou excesso de um dos componentes, pode não ser possível ter o mesmo resultado.

Dica importante: Fundamental durante uma degustação de cunho mais técnico, estar livre de perfumes, inclusive no ambiente. Com isso, temos apenas a apreciação dos aromas dos vinhos na taça e nenhuma outra interferência.

As dicas são básicas, caso tenha dúvidas ou gostaria de saber mais sobre o assunto, escreva para mim: michele@buenowines.com.br

A taça certa
Flores na taça

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